Durante várias décadas o Brasil usufruiu e muito do transporte Ferroviário, berço da primeira ferrovia brasileira, o Rio de Janeiro saiu na vanguarda, graças a esse tipo de modal.
Onde se assentava os trilhos de uma estrada de ferro, o progresso a ela era atribuído. O primeiro apito da locomotiva, a multidão ao redor, o primeiro trem a circular, a cena não tem preço, mas isso parece ter sido coisa do passado.
Nossas ferrovias que tanto precisavam de atenção foram relegadas ao total descaso e abandono, sem investimentos iam sendo sucateadas e por consequência não podiam competir com a esmagadora concorrência das novas rodovias que abruptamente iam surgindo, passageiros e mercadorias iam aos poucos desaparecendo, as estações antes lotadas iam cada vez ficando vazias e por fim desertas. Na plataforma, "tímida" e "solitária" as poucas composições.
Era triste a cena de uma composição com poucos passageiros a bordo aguardando o momento da partida para a última viagem.
Era uma viagem marcada pelo tempo, um tempo magestoso que agora amarga uma triste realidade. Muitas de nossas ferrovias e trechos de grande atrativos, estavam condenados a desaparecer e foi isso o que ocorreu. A contra gosto de muitos esta triste realidade foi levada a cabo, ou por conta do descaso ou por conta da nova opção, o trem passou a ser considerado em muitas localidades, antes de sua chegada, inóspitas, um incomodo. O "intruso e indesejável" teria que ser removido, mesmo tendo chegado primeiro, os trilhos iam sendo arrancados sem piedade, seu leito vazio ia dando lugar a ruas e avenidas e construções de alvenaria.
As ferrovias venciam as barreiras, ora abrindo túneis, ora transpondo precipícios, contornando montanhas e vencendo terrenos pantanosos.
No início do século XX, no Rio de Janeiro, as Estradas de ferro Rio D’ouro, Theresópolis e Maricá dividiam o cenário com as gigantescas Estradas de ferro Central do Brasil e Leopoldina, levando cargas as quais transportavam cargas e passageiros a várias regiões. Da Capital e Niterói, partiam composições lotadas às regiões praianas, dos lagos, e serranas.
Banhistas a procura de praias e cachoeiras nos fins de semana e feriados principalmente no verão carioca onde a temperatura elevada obriga a procura de lugares mais frescos. Turistas, até mesmos estrangeiros, faziam uso de nossas ferrovias, as regiões por elas cortadas eram atrativos em potencial, algo se investir, mas nossos burocratas vesgos não atentaram para este fato.
Infelizmente quase nada restou dessas estradas de ferro, apenas raras fotografias, documentos, e publicações que remetem a lembrança de uma época de ouro que hoje fazem parte do acervo de arquivos públicos e privados, alvo apenas de pesquisadores ou grupos de entusiastas e preservacionistas.
As ferrovias deixaram sua marca na história, nem o tempo foi capaz de apagar, basta procurar os vestígios e registros históricos. Infelizmente muita coisa se perdeu, pois o Brasil além de não investir não teve o cuidado de preservar sua história, parece ter um grande desprezo por sua memória ferroviari história.
A LEOPOLDINA RENASCE NA ARTE é um projeto cultural de autoria do artista plástico Wilson P. Silva.
O artista que também é escritor, não possui nenhum apoio ou insentivo por parte do governo ou instituições, a lei de insentivo cultural, a ROUANET, sempre focou as "Elites artísticas", apenas movido pela paixão "toca o barco" ; isto é, faz a locomotiva e o comboio seguir em frente. Para ele "trem é progresso, é cultura, é prazer", um país que não investe em ferrovia é um país subdesenvolvido, sem visão, que desperdiça oportunidades.
O seu pai, o Sr° Walter Ferreira da Silva (in memóriam), muito conhecido pela classe ferroviária da Leopoldina como “Blusão de Couro”, foi exímio Radiotelegrafista, passando seus conhecimentos aos filhos. Wilton Peixoto da Silva (in memórian) seu irmão, e a ele próprio.
Wilson herdou os conhecimentos e perícia de um exímio telegrafista, estudou na Escola Edison onde se formou Rádiotelegrafista de primeira classe e Rádiotelefonista clase geral, com registros no antigo Departamento Nacional de Telecomunicações - DENTEL, mas infelizmente a profissão que sempre amou e pretenteu perpetuar-se na saga foi esmagada pelo progresso inevitável, a Telegrafia e a Radiotelegrafia tornaram-se profissões mortas.
O Senhor Walter também foi considerado o último telegrafista que veio a trabalhar em Guia de Pacobaíba, a primeira estação ferroviária do Brasil, situada na praia de Mauá no Município de Magé, até nos deixar em 2009.
Um pouco da história do Sr. Walter foi contada no Jornal O Dia, de 26 de abril de 2004, em ocasião dos festejos dos 150 anos da primeira ferrovia Brasileira - a Compania de Navegação a vapor e Estrada de Ferro Petrópolis - que ficou popularmente conhecida como Estrada de Ferro Mauá.
A LEOPOLDINA RENASCE NA ARTE, como o nome sugere, tem como foco a antiga Estrada de Ferro Leopoldina, fazendo renascer a sua história através das diversas obras de arte, poesias, crônicas e periódicos.
Em pouco tempo os trabalhos de Wilson PS ganharam status de documentário por conta da sua essência, vale a pena conferir e consultar.
A ilustração acima, mostra a gare Barão de Mauá, a antiga estação principal da Leopoldina que por várias décadas, desde a sua inauguração em 1926 abrigou toda a diretoria da Leopoldina, para este grande terminal ferroviário convergiam todos os trens da antiga The Leopoldina Railway Company Ltd.
A gare hoje se encontra em completo abandono, amargando o insucesso de uma disputa judicial que se arrasta há anos, não pune os responsáveis pelo seu abandono e não os obriga de fato recupera-la.
Desenho grafite 40x50 de Wilson PS.
Dede