quarta-feira, 3 de maio de 2023

Estação Barão de Mauá, também conhecida como Estação da Leopoldina, foi inaugurada no final do ano de 1926 no governo do Presidente Arthur Bernardes, um presente de Natal para a população carioca, da baixada fluminense e para todos os usuários da saudosa The Leopoldina Railway Company Ltd.Infelizmente como se havia de esperar nem tudo o que é bom por aqui se dá valor, o Brasil em se tratando de ferrovias merece ao invés de parabéns, pesares.Com o passar dos anos a Cia Leopoldina, após o declínio do ciclo do café amargou um período de crises que dificultou sua expansão e modernização, posteriormente, já na administração inglesa, com a crise gerada pelas duas grandes guerras mundiais o problema se acirrou. Impedida de importar insumos para o seu bom funcionamento a gigantesca Leopoldina se viu em maus lençóis, completamente impossibilitada de prosseguir em sua expansão rumo ao progresso, poderia sim sem sombra de dúvidas ter alcançado a capital Mineira, Ligando Barão de Mauá à Belo Horizonte, mas a Leopoldina se viu impedida de renovar seu parque ferroviário e sua frota já obsoleta. Todas as composições procedentes das regiões servidas pela ferrovia convergiam para a sua estação principal Barão de Mauá, alguns a conhecem como estação terminal mas na verdade era sua estação inicial, o seu quilometro zero. Nos subúrbios as vaporosas, num circuito frenético, faziam o serviço ligando o grande estação à estação da Penha, mas com a chegada das Ramonas que eram Bi direcionais a linha circular que existia logo após a esta estação foi extinta, porém deu origem a que hoje conhecemos como estação da Penha Circular. De Barão de Mauá as composições partiam lotadas para Vila Inhomirim e Guapimirim, eram sete carros de madeira apinhados de passageiros que eram arrastados pelas Ramonas, vez por outra um pingente despencava ficando para trás enquanto o comboio prosseguia na viagem. Posteriormente veio o esperado reforço das modernas dieseis hidráulicas alemãs Sllingen, mas estas locomotivas que possuíam um designer diferenciado pois possuíam cabines de comando em cada extremidade tiveram vida curta nos trilhos da Leopoldina, eram num total de treze exemplares assim numeradas, de 1001 a 1013, todas fora transferidas em 1965 para a VRGS.Em 1958 as dieseis elétricas foram expulsando as velhas e cansadas Ramonas que já estavam sentenciadas a desaparecerem, acredito que delas nenhum exemplar sobreviveu.Todas os trens da Leopoldina convergiam para Barão de Mauá, ali se podia embarcar nas composições para Macaé e Campos. A composição Campista quando chegava em Visconde de Itaboraí aguardava uma outra procedente da estação de General Dutra em Niterói cujos carros eram engatados em sua traseira para então prosseguir na viagem ao seu destino, além deste trem havia o noturno que fazia o eixo Barão de Mauá Campos Vitória. Posteriormente com a chegada dos modernos carros de aço carbono que formariam o famoso Trem "Cacique" os velhos carros de madeira começaram a serem substituídos. Este tem noturno, o "Cacique", não ultrapassava a estação de Cachoeiro de Itapemirim, seus carros por serem mais robustos corriam o risco de ficarem entalados no túnel da serra de Soturno. Quem viesse do Rio ou de Campos para Vitória teriam que fazer a transferência para os carros de madeira em Cachoeiro.De Barão de Mauá também partiam as composições para a zona da mata mineira, fazendo a conexão Rio-Minas. A procura dos bilhetes de passagens para Três Rios, Recreio, Ponte Nova, Além Paraíba, Ubá, São Geraldo e Bicas eram bem disputados, principalmente nos dias festivos como os feriados nacionais e de fim de ano; nestas ocasiões, tanto na linha campista como na mineira a Leopoldina colocava seus trens extras a disposição dos passageiros que lotavam a gare Barão de Mauá para o embarque, muitos tinham o costume de ir ao terminal afim de aguardarem parentes e amigos procedentes do interior no desembarque.A gare também servia como cenário para produções cinematográficas e por muitas vezes trens especiais eram disponibilizados para a equipe, quantas foram as vezes que víamos artistas do cinema e da tv como Grande Otelo, Ankito, Zé Trindade, Violeta Ferraz, Mazzaropi, Paulo Gracindo, Francisco Cuoco, Regina Duarte e outros circulando pela gare e plataformas de Barão de Mauá, ao passarem pelas localidades a beira da linha os astros acenavam para a população que corriam para as estações onde alguma cena seria realizada.Com erradicação do trecho serrano, encerrou-se o ciclo das belas viagens para Petrópolis. As composições mineiras não mais subiram a serra após de Vila Inhomirim, uma pena. Desde então, tanto o expresso mineiro quanto o noturno e os cargueiros passaram a utilizar a linha auxiliar que já vinha sendo utilizada pela Leopoldina desde 1963, as composições faziam a bifurcação em Triagem seguindo por Del Castilho, Pavuna e outras estações até Japeri, dali após alcançarem Três Rios, seguiam até Caratinga e Manhuaçu em dias alternados, os carros das composições eram dividos cada qual para seus destinos. Com a chegada dos carros de aço as composições do trem noturno mineiro também foram contemplados, assim teve origem o "Trem dos inconfidentes", infelizmente este não se tornou tão bem conhecido como ao seu irmão "Cacique" apesar de seus carros serem idênticos pois foi retirado de circulação bem antes, nos anos 1970, enquanto o Cacique foi extinto em 1982.É bom lembrar que no início dos anos 1930 um acordo entre a Estrada de ferro Central do Brasil e a Leopoldina permitiu que dê Barão de Mauá viesse partir a composição para Teresópolis que pertencia a primeira, isto é a EFCB. O serviço serrano entre Guapimirim e Teresópolis encerrou-se um pouco antes do fim do trecho serrano entre Vila Inhomirim Petrópolis e Petrópolis Três Rios.No final dos anos secenta foi aberta ao trafego a ligação São Bento Ambaí pondo em fim o oneroso tráfego através da linha auxiliar. Vale lembrar que os passageiros com passagens para Papucaia, Japuíba, Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo podiam embarcar no trem campista e descerem em Visconde de Itaboraí para a transferência para os carros procedentes de Generala Dutra para Nova Friburgo. Em nova Friburgo a linha prosseguia em direção a zona da mata mineira formando assim a terceira linha tronco da ferrovia.Infelizmente todo o glamour das belas viagens pelos trilhos da Leopoldina principalmente das composições partindo de Barão de Mauá são velhas lembranças de um passado glorioso que não volta mais, o Brasil desprezou o transporte sobre trilhos é está pagando muito caro por este erro, é triste ver o lindo terminal Barão de Mauá abandonado e em ruinas.As novas gerações não terão a minima ideia da importância daquele prédio perdido no tempo, apenas o canal do mangue que margeia a frenética Av. Francisco Bicalho será testemunha de um tempo que não volta mais.O texto é de Wilson PS desenhista e pesquisador ferroviário, também é de sua autoria a ilustração que remonta os bons tempos da movimentada estação Barão de Mauá onde se vê na plataforma uma locomotiva U-12b de número 2006 que compunha o lote das dezoito dieseis elétricas entregues à Leopoldina as quais receberem a numeração 2001 a 2018, o desenho mostra a robusta locomotiva ostentando sua pintura original.

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