Saudades da LEOPOLDINA
Por Wilson PS
Lembro com nostalgia meus tempo de criança brincando ao lado do pátio da estação de Saracuruna.
Meu pai era ferroviário da Leopoldina, hoje coisa igual não há.
Tudo era bom, a Leopoldina uma família.
Todos se conheciam "Fala companheiro, bom dia!" - apesar da ferrovia ser de dimensão colossal.
Os trens suburbanos não davam descanso, a tabela de horários atendia a demanda.
Manobras no patio, para mim tudo era diversão.
A diversidade de carros, locomotivas e vagões.
A cada apito um alvoroço!
Meio dia, hora do almoço, o relógio era a pontualidade do trem.
Atrasos???
Ora, ninguém é perfeito!
A Leopoldina merece respeito!
Os trens circulando pra lá e pra cá, vindo e indo para Barão de Mauá - que belo terminal!
Canalhas, mil vezes canalhas, deixaram virar ruínas.
De lá saía trem para Minas, Espírito Santo e pra todo canto.
O expresso era um sucesso e o noturno viajava no silêncio da noite.
Bons tempos do campista lembrou o velho maquinista, soluçando, quase em lágrimas!
A Monique reuniu a família para passear no Cacique, foi para Cachoeiro, lá casou com ferroviário de Vitória, essa tem história pra contar!
Seu Clemente embarcou no inconfidentes, vai pra Ubá, Seu Manoel Feio vai pra Ponte Nova, seu Zé pra Recreio.
Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo; Niteroi, Macaé Campos e Murundu; Mimoso, e Bom Jardim; Trajano de Moraes, Cordeiro e Mucuco.
Tá maluco? A Leopoldina é ferrovia de dimensões colossais nem viajando o ano todo não dá.
São Fidélis, Cardoso Moreira, Itaperuna e Munhuaçu; São Geraldo, Bicas, Carangola e Caratinga!
Já disse: A Leopoldina é de dimensões colossais, nem viajando o ano todo não dá.
A dona Marina embarcou na Litorina em Barão de Mauá, que chique, foi pra Campos passear!
Por um triz um senhor quase perde a Automotriz, quem manda não ser pontual, os trens da Leopoldina partem no horário marcado, seja mais apressado, senão fica a pé.
Meus tempos de menino era assim, a Leopoldina era o meu segundo lar, papai sempre como um passe na mão para eu passear.
Era como uma grande familia, todos se conheciam "Fala companheiro, bom dia!"
A beira linha eu via de tudo da janela de casa.
Minha nossa que barulho foi esse???
O trem descarrilou, tudo parado, ninguém vem nem vai, o patrão vai se zangar.
Ônibus? Nem pensar, pião viaja é de trem, e eles ainda não tinham roubado o lugar.
Corre pessoal, o trem de Socorro chegou!
Todos correm pra ver os caras trabalhar.
O guindaste é poderoso logo libera a linha, mas não é bem assim, o negócio tá feio, e daí? O caras sabem trabalhar.
A Leopoldina era uma ferrovia completa, o que dela restou?
Vai pra cozinha mulher, preparar um café reforçado, eu ajudo você, temos que ajudar. Isso sim era companheirismo, se dúvidas pergunte aos mais velhos, a Leopoldina era uma família.
Sol, chuva, frio ou calor, noite ou dia os trabalhos continuam até liberar a linha.
O guindaste poderoso levanta carros e vagões, mas a locomotiva é pesada pra burro, e daí, bem devagarinho cada truck vai pro devido lugar.
Salve! Salve!
Acabou, a rotina volta ao normal.
Os bons tempos passaram, estou cansado e velho mas trago na memória tudo isso e muito mais, é sério!!!
A Leopoldina era uma ferrovia completa, o que foi que aconteceu?
Resta-me na lembrança os meus tempos de criança quando via o trem passar.
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