terça-feira, 12 de abril de 2022

O CORTE DAS BANANEIRAS
Por Wilson PS

Próximo ao local onde está erguida a estação de Jardim Primavera, havia uma curva que atrapalhava muito a visão dos pedestres que atravessavam a linha do trem.
O maquinista da Maria fumaça, ao se aproximar a locomotiva bufando muito e espelindo groços rolos de fumaça ao céu, soava repetidas vezes o apito para que os desatentos não perdessem suas vidas.

Conta-se que ali existia uma grande plantação de bananas de diversos tipos, e que alguns homens munidos de foices, facas e facãos trabalhavam no local separando cachos e pencas para serem transportadas para o comércio na região. 

🍌🍌🍌 🍌 🍌 🍌 🍌 🍌

O local ficou conhecido como "Corte das Bananeiras", e a história que passo a contar são relatos de antigos moradores, infelizmente não conheço nenhum que ainda esteja vivo para confirmar. 

A lendária Estrada de ferro do Norte como tornou-se popularmente conhecida a The Rio de Janeiro Northern Railway Company Ltd, fora a responsável pela abertura do tráfego ferroviário que cortava a região da Baixada Fluminense desde 1888, seus trens partindo da estação de São Francisco Xavier seguiam até a pequena estação de Piabetá que na época denominava-se "Entrocamento" pois recebera esse nome por encontrar-se naquele ponto com a primeira ferrovia do Brasil.

Como o local servia como parada clandestina para os trens da Leopoldina Railway a companhia ferroviária sucessora da EF do Norte que desde então fazia o serviço de trens suburbanos entre o terminal Barão de Mauá e as estações de Vila Inhomirim e Guapimirim em conexão com as estações de Petrópolis e Teresópolis, posto que não havia ali nenhuma construção para o abrigo de passageiros, os maquinistas atendiam cordialmente as solicitações dos moradores, fazendo uma "meia parada" para os mesmos embarcarem e desembarcarem dos carros das composições, muitos deles com suas bagagens e bolsas de compras.
Os maquinistas como havia de ser, sempre eram contemplados com algumas pencas de bananas verdes ou maduras.

Havia uma lenda que o local do  "Corte das Bananeiras", era muito evitado, princinpalmente ao cair da noite, não por causa dos bêbados e vagabundos que também circulavam nos arredores, mas pelas "aparições fantasmagóricas" que aconteciam no local. Ali, segundo relatos, muitos desatentos perderam a vida sob as rodas dos trens. 
Ao cruzarem os trilhos sem atenção os pedestres eram colhidos pelas composições. 
Os atropelamentos também Aconteciam por conta da falta de atenção ao descerem das escadas e estribos dos carros de madeira da composição que por serem baixos facilitava o desembarque sem a necessidade de uma plataforma. 
Era uma constância pessoas serem atropeladas no local por uma outra composição em movimento que vinha em sentido contrário à que estava parada.
No local os trens por diversas vezes durante o dia e noite cruzavam em movimento, muitos cortadores de bananas também morreram destroçados debaixo das rodas dos pesados comboios, ali não podia-se dar bobeira.

Muitos diziam ter visto as almas penadas perambulando sobre os trilhos, adentrando ou saindo da macabra plantação.

Próximo ao "Corte das Bananeiras, com o passar  dos anos começou-se uma reivindicação da população local para que a Leopoldina construísse uma parada ou estação de trens. 
Anos se passaram até que um influente morador da localidade, o Sr. Nelson Cintra conseguisse da Leopoldina a garantia para uma solução definitiva que poria fim ao problema. Segundo os antigos, o próprio Sr. Cintra colaborou junto à Leopoldina o custeio da moderna construção que recebera o nome de Estação Jardim Primavera.

Nenhum comentário:

Postar um comentário